José Cordeiro

JC

Verão! Férias, praia, Sol, descanso. A última coisa que alguém quer no Verão é o quê? Trabalhar. Porém, foi isso mesmo que fui fazer, mas, com um plot twist, na Tunísia! Este Verão queria ter uma experiência profissional e, ao mesmo tempo, conhecer um novo país.

Lá estava eu, de novo, em África. Uma África diferente, desta vez no mundo árabe. Fui recebido pelo Aymen e pelo Bilel, que me levaram de carro para La Goulette. Logo no caminho apercebi-me do caos que é a condução lá. Semáforos, sinais de trânsito, piscas, passadeiras? O que é isso?! Lá tive de me habituar a atravessar a rua contornando os carros em andamento, sem medo, todos os dias.

No estágio, as tarefas eram simples. Desde fazer alterações no website e tentar aumentar a visibilidade da empresa, criando e dinamizando também uma conta Facebook e LinkedIn. O ritmo de trabalho lá é calmo e não é propriamente o mais eficiente, mas as coisas aparecem feitas. Trabalhava apenas de manhã, tendo todas as tardes livres, permitindo explorar um pouco de Túnis todos os dias. Ir à Medina, Avenida Habib Bourguiba e tantos outros sítios.

Também durante a minha estadia lá, a IAESTE Tunísia organizou uma viagem de 5 dias ao deserto, com todos os estagiários e os voluntários. Permitiu-me conhecer outros locais, novas comidas, novos ambientes, novos costumes e travar grandes amizades. Alguns hábitos e dogmas mantém-se muito enraizados na população, principalmente no que toca à religião. No entanto, nunca vi nenhum caso de extremismo e  Reina a tolerância e simpatia.

Foi muito interessante falar com tunisinos mais abertos e mais conservadores. Conhecer os dois lados da moeda. Trabalhar como eles trabalham. Viver a rotina local, experimentar Arisa, andar de camelo. Ser tunisino por umas semanas. Mas no final, ainda havia tanto por conhecer do país. Locais por visitar, pessoas por conhecer e sabores por experimentar.

E uma vez mais, o que é isso de ‘conhecer um país’?

Quanto tempo mais seria preciso para conhecer o país? Mais um um mês, um ano, uma vida? Ainda não tenho uma resposta, nem acho que alguma vez irei ter. Para mim é conhecer o bom e o mau, é viver a rotina, é viver as pessoas. Porém, tudo isso está também em constante transformação, sendo impossível conhecer tudo isso na totalidade. Mas nada nos impede de ir a uma diferente aldeia, vila, cidade ou país e conhecer algo único e diferente. Até mesmo dentro do nosso país. E, no final de cada viagem, resta-nos guardar no coração as emoções que vivemos num certo local, num determinado tempo, com aquele grupo de pessoas e as lições que retirámos dessa experiência.